L'inauguration de hyperbaroque,Le profond, sublime et frivole

L’INAUGURATION DE HYPERBAROQUE LE PROFOND, SUBLIME... ET FRIVOLE

Ooh shit, I'm a dangerous man
with some money in my pocket
(Keep up)
So many pretty girls around me
and they waking up the rocket
(Keep up)
Why you mad? Fix ya face
Ain't my fault y'all be jocking
(Keep up)
“24K Magic”, Bruno Mars, 24K Magic, 2016
Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ
Hino Cristão (Utilizado na celebração de diversos acontecimentos religiosos e pagãos como agradecimento a Deus), séc. IV, adaptado e musicado ao longo dos séculos

Dois poemas, dois cenários, duas representações. Podemos mesmo afirmar - dois espaços, dois tempos. Mas esqueçamos o espaço e o tempo e foquemos-nos na Festa, pois é isso mesmo que estas músicas representam: a celebração. A celebração de valores que em Bruno Mars cremos serem tangíveis e num Te Deum acreditamos como intangíveis, um poema que pode ser tocado para louvar o sublime, por isso, imortal e dotado das forças de uma fénix.

O profundo, o sublime... e o frívolo, características que através da beleza definem o hiperbarroco. O barroco que renasce e que se apresenta constante, num palco de poder e do poder.

Se em Bruno Mars podemos ler nas entrelinhas o eco de Humberto, podemos também ouvir a escrita de Milton Friedman: a apoteose do dourado, do fidelíssimo dourado, da reserva de valor, da materialização de sonhos e do fascínio gélido que os bloqueia.

Hão-de querer saber de que fábricas falece o Reino que laudamos... Pois não é ele mesmo - o Reino - o sal que está ou que é da terra? E o sal não foi já ele salário? Na crença genuína do Fidellisimus, não está a celebração de algum dinheiro no seu bolso? E na arte?

Na deslembrada memória da arte dos marnotos, está o peso da Arte. É na criação de hiper-cenários, de Caes de Pedra que servem para a partida e chegada de tão nobres pessoas, que ascendem para a festa, que é a mesma, igual, dourada. Não dançam no mundo os gentilhommes, mas os bourgeois... numa permuta permanente de uma inauguração.

É este gaudio que aqui vamos ajudar a louvar, a manter e a consumir - L'inauguration de l’hyperbaroque - Le profond, le sublime ... et le frivole.



ACERT - Tondela