GRAND TOUR



GRAND TOUR
Made for: Galeria da Estação Braga
Esculturas
Size:
PetG e PVC Pintados; Veludo
Barga, 2017
Exposições: Pensar Barroco Art-map

Contexto

O Grand Tour do século XVIII marca o início do turismo trazendo novos objetivos à viagem - lazer e ócio. Experimentar culturas distintas, aprender com o seu passado, saber como se divertem e viver com elas uma troca de experiências. Este poder que a riqueza a poucos concedia transformou cidades, transformou tradições, desenvolveu uma indústria que até aí era utilitária.
As locomotivas a vapor e o advento da velocidade inspiraram, por sua vez, novos destinos, mais destinos, mais olhares, cada vez mais fugazes. Um piscar de olhos por uma janela em movimento.

A viagem que se diria barroca, rocaille, romântica, virtualiza-se hoje num turismo hiperbarroco percorrido em mapas de redes sociais. Democratiza-se, massifica-se e higieniza - dourando a história em encenações hiper-reais. O palco que era a cidade barroca renasce em teatros de tradições, em que toda a comunidade procura ser mais autêntica, perfeitamente autêntica.

E o Grand Tour? Esta peculiar viagem mantém-se, mas vende--se agora com um packaging e com um pricing adaptados às necessidades e às possibilidades de cada um. Ainda singularidades coletivas em que cada um tem a ilusão de recriar os seus desejos através de viagens-circuitos. Do ócio ao negócio que vende o “ócio” (aqui uma frase que se deveria ler em latim). Ilusões partilhadas no espelho lúcido das viagens transtemporais. Vamos ver César ou o Caesars Palace, ou talvez Veneza guiados por gondoleiros do Venetian enquanto comemos em fábricas de pastéis de nata e nos divertimos na busca pelo genuíno.

Sim, viajemos pelo hiperbarroco do turismo contemporâneo sentados num comboio de histórias do instagram. Convite e limite crítico do horizonte marcado pela linha infinita dos carris suspensos na estação dos caminhos-de-ferro.