Miguel A. Rodrigues

Miguel Rodrigues estudou Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade de
Lisboa depois de ter estudado Economia na Faculdade de Economia da Universidade de
Coimbra.

Entende a arte como uma apologia do belo buscando-a através da hiper-realidade do
quotidiano. Inspira-se na história, na moda, na propaganda e teatralidade.

Elegeu, nos últimos anos, o barroco e a sua história como objeto de reflexão, transportando-
o para a contemporaneidade, para o hiperbarroco.

Entre 2015 e 2017 desenvolveu em conjunto com Ana Fonseca Figueiredo o projecto “Sapiens Atelier”, numa matriz interdisciplinar, dentro do qual exploraram a ideia de Hiperbarroco, que continuam hoje a investigar.


"Olho para a arte e para arte contemporânea com a ingenuidade de tentar compreender o seu papel na nossa sociedade. Tentar refletir sobre o seu fenómeno mercantil, financeiro e de propaganda. Decifrar como uma sociedade de consumo, de produtos, entende o valor da arte. Estas sempre foram as questões que me intrigaram. Na equação que define a validade de uma obra de Arte, quais as variáveis que não têm uma correlação com o seu valor monetário, presente ou futuro?

Para estudar estas interrogações, resolvi usar uma abordagem que não seja de oposição à realidade, mas de jogar com ela, exagerando-a. Por isso olhei para trás no tempo para procurar semelhanças com os nossos tempos. Nessa demanda, confrontei-me com o Barroco. Olhei para a forma como este estilo tratou o luxo, o efémero, a ilusão, usando-os para propagar os ideais dos seus patronos, e ensaiei perceber como, hoje, essas características barrocas estão expandidas e pretensamente dissimuladas em simulacros cada vez mais espontâneos e instantâneos, em dinâmicas transversais que ora se chocam ora se sobrepõem e se esforçam em aglomerados de novos sentidos.

Resolvi usar as características barrocas, estéticas e conceptuais, que serviam para cativar o espetador, mas adaptá-las ao fenómeno hiperbarroco contemporâneo. Usar a beleza, exagerar o luxo, brincar com o óbvio e jogar com o valor, para nos questionarmos subtilmente, e sem a pressa de uma resposta. Escolhi como material para estas peças o plástico, um material intrinsecamente contemporâneo. Não queria cair na armadilha de tentar refazer, de reinventar o passado, mas captar algo novo."


Colaborações Externas

Ana Fonseca Figueiredo - Investigadora nas àreas da Arte Contemporânea, Antropologia e Dança

Carlos Pissarra - Eventos e Exposições

Cláudio Carvalho - Fotografia, Vídeo e Musica